de algum lugar temos que começar

medos, nuvens & jardim de infância
a mais recente lição da vida que – ainda – estou aprendendo é sobre:
encarar os medos e aceitar as emoções difíceis.
olhar pra elas, flertar com elas, questioná-las, fitá-las, sem desviar o olhar,
sem querer fugir.
a c e i t a r.
parece fácil né?
talvez essa seja uma das lições mais complexas até hoje, no meu processo de autodescoberta e também uma das mais importantes.
observando as nuvens agora pouco, percebi que 15 minutos atrás elas estavam escuras, o céu era outro, uma ventania, parecia que ia cair o mundo. mas só parecia.
e nem que tudo é o que parece.
nos preocupamos antes de ser.
e, agora, tá um pôr-do-sol lindo, as nuvens se dissiparam, o vento cessou.
e mesmo que tivesse caído o mundo, a tempestade não iria durar pra sempre, né?
eu sei, é uma analogia clichê um tanto quanto rasa pra profundidade que é o tema que estou tentando tratar.
mas, amada… quando até a nuvem te olha e fala com você, é porque a vida tá realmente querendo que a gente aprenda de alguma forma, nos mandando todos os sinais possíveis pra ver se conseguimos compreender.
e como é bom enxergar isso.
que bom viver assim. atenta. aberta a tudo que se apresenta no caminho.
lá no começo do meu processo, eu sempre ouvia que tínhamos que encarar a vida como uma escola. que quando entendêssemos que TUDO nos ensina e que os desafios são nossos professores, a vida passaria a fazer mais sentido.
e eu achava que já tinha entendido.
e agora tô eu aqui, diariamente me vendo como uma aluna do prézinho, no seu primeiro dia de aula. hora confiante, hora com medo, as vezes feliz, outras perdida.
a vida é mesmo um mistério.
mas é TÃO GOSTOSO brincar de desvendar.
os medos também são partes misteriosas de nós. são cômodos escuros do nosso ser, que, quando passamos a olhar mais de perto, com uma pequena lanterna da alma, vamos iluminando aos pouquinhos algumas paredes, que já estão prontas para serem vistas. até que no momento certo, esse espaço passa a ser mais um lugar conhecido dentro de nós.
mais uma parte revelada, aceita e agora integrada.
e é assim que nos desvendamos e vamos dando mais e mais sentido à vida.
nos percebendo, nos conhecendo em nossas particularidades e peculiaridades.
é assim que passamos de ano no jardim de infância.
eu acho que a nuvem quis me mostrar que não precisava me pré-ocupar.
o que acontece se eu soltar?
o que vem a seguir?
e se o medo me atravessar?
será que é realmente tão grande aquilo que eu temia antes?
— uma pausa pra respirar fundo —
ao percebemos o quanto somos pequenos perante o Universo,
entendemos também o tamanho da nossa grandeza.
afinal tudo é
uma coisa só.
